Opiniões sobre a violência apontam como começar a combatê-la.  

Monike Oliveira – 8º Período (Tijuca)

A violência não é um fato novo, tampouco é um fenômeno recente, porém há quem diga: “Na minha época não era assim” ou “Quando eu era mais novo, a violência não tinha esta proporção”. Nestas saudosas afirmações existe uma considerável verdade: a violência está pior. Os jornais estampam em cada edição as marcas que ela vem deixando principalmente no Rio, e os sinais não apontam para uma melhora a curto prazo em função das várias falhas no processo social, político e econômico brasileiro.  

(leia mais)

“A violência não significa somente agressão física, aquela considerada como a do bandido contra o cidadão dito de bem. A questão é bem mais ampla, como a violência contra a mulher, contra a moral, como a que o governo comete ao negar direitos do cidadão”, diz Leandro Campista, aluno de Comunicação Social da Universidade Candido Mendes. Para ele, um somatório de ações e reações ocasionam esse crescimento da violência urbana vivida.

A violência sempre existiu, é antiga na história da humanidade, sempre esteve presente nas civilizações, da sua forma, com suas armas, com seus objetivos, com os personagens que lucram e participam dela, sejam eles, países, pessoas, empresas e etc. “Esta visão atual de violência é relativa. Hoje a violência é grande, mas não significa que tenha sido menor um dia. O passado não foi menos violento do que a época atual, basta olhar para a década de 50 e observar o Pós-Guerra do Brasil, onde milhares de pessoas morreram”, analisa o Filósofo e professor da UCAM, Samir Haddad .

Sempre presente e nos formatos mais diversos, hoje a violência que afeta a todos os brasileiros e consideravelmente os cariocas, é a violência urbana. Os números mostram, os jornais publicam, balas perdidas fazem parte do dia-a-dia, a população teme. O aumento da violência indica o resultado das políticas socias adotadas nas grandes cidades, e para se começar a pensar na resolução de um problema, precisa analisar outro primeiro e para este outro, outro, e assim por diante. Para chegar a esta percepção não precisa passar anos na escola, as experiências e a vida se encarregam de ensinar. João Leite de 75 anos, comerciante e morador da comunidade do Borel há 25 anos, diz que não adianta a polícia militar prender os bandidos, se depois de 1/3 da pena, a justiça solta, e eles por diversos motivos voltam a fazer a mesma coisa na rua. “Isso é o que eu vejo por aí!”, afirma Seu João. Para ele, as oportunidades de emprego deveriam ser para todos, porque com emprego, “entra no crime quem quer!”, diz João Leite.

Esta questão aborda outra perspectiva, a dos direitos e condições sociais que afetam não só o Rio de Janeiro, mas todo país. O emprego é um fator determinante para uma sociedade organizada que apresenta baixos indíces de violência. E se a questão é emprego, como fica o acesso à escola? A qualificação profissional? A desigualdade de renda provoca diversos problemas em qualquer sociedade inclusive a violência.

Com o passar dos anos, mudanças acontecem nos contornos da própria violência. Na urbana, tipos de crimes, pápeis e mitos vão ganhando outras formas. Crimes novos surgem na sociedade, o papel do bandido e do mocinho se misturam e os mitos passaram a ser realidade publicada em jornais diariamente. Se antes, os traficantes assumiam um papel de “Peter Pan”, solidários à comunidade, atualmente seguem o lema: cada um por si, respeitando o trabalho e o espaço do outro dentro da comunidade. A polícia, com o papel de defender a população, também aparece envolvida em casos de violência, crimes e corrupção e, em contrapartida, são assombrados pelo fantasma dos maus salários, fruto da economia brasileira.

“O poder não está legitimado”, diz o professor Samir Haddad. Segundo ele, todo poder é arbitrário, mas é necessário ser legitimado. Historicamente, o mecanismo que faz com que os homens obedeçam foi pautado pelo Direito, pela lei, por Deus, mas nunca só pela força como aparece hoje, resultando no aparecimento de um estado paralelo. “Com o poder não legitimado, aparece outro também não legitimado e aí é só é força contra força”. O poder que  o professor se refere aqui é o do tráfico.

“A conquista pessoal, resultado de projetos sociais nas comunidades, sejam elas A, B ou C, leva o jovem e o adolescente a terem opções de escolha e ao menos terem oportunidades para seguir o caminho certo”, aponta Cristiano de Araújo, servidor público e morador da comunidade do Borel há 33 anos. Leandro Campista concorda: “Só repressão, não é solução. A polícia faz o que dá para fazer. A solução na minha opinião é condição de estudo, educação de qualidade e políticas socias adequadas”, diz. O filósofo e professor Samir Haddad resume: “Contra violência: educação e pão!”. Visões mais pessimistas, e nem por isso menos realistas, acreditam que o dinheiro movimentado por meio da violência com o narcotráfico, armas, munições, entre outros, não vai permitir sua diminuição. E assim, opiniões, debates, críticas e ações seguem disputando espaço contra a própria violência.

A posição da mídia no contexto da violênca tem levantado muitos debates. Seu papel diante deste cenário não pode se limitar a informações, relatos e muitas vezes, a massificação de matérias sobre o tema cujo único intuito é amedrontar mais ainda a sociedade, sobretudo em relação à insegurança, e ao descaso das autoridades competentes, como relata Paula Francisca, comerciante e moradora do Borel há 7 anos. “Procuro não me informar sobre a violência. A situação é séria, eu vejo isso por aqui mesmo, mas assistir noticiários hoje em dia me deixa mais apavorada. É só tragédia!”.

O papel que a mídia deve excercer na socidade neste momento é de extrema importância. Ela pode ajudar a sociedade no combate à violência, promovendo matérias, projetos e programas de incentivo a educação e a projetos sociais, divulgando empresas, ONGs, entre outros, que promovam oportunidades de educação, cultura e lazer. E que principalmente, assuma o seu papel de quarto poder no sentido de cobrar e propor intensamente soluções, projetos sócio-ecomômicos e o cumprimento da justiça por parte das autoridades.