Max Wolosker Neto
Aluno da UCAM – Nova Friburgo
2006.2
Apesar de ser árvore símbolo de um município do norte fluminense, fazer parte de uma cantiga popular e produzir um fruto muito apreciado, o cambucá é desconhecido da maioria dos brasileiros. Na lista das espécies em extinção, esta árvore nativa da Mata atlântica tem propriedades alimentícias, poderes medicinais, pode ser industrializada e servir de reflorestamento para recuperação ambiental.
O cambucazeiro, Plinia edulis (antiga Marlieira edulis), da família da Myrtaceae, árvore frondosa de rara beleza e floração branca, tem frutos amarelados e pode ser encontrada desde Santa Catarina até o Rio de Janeiro. Da mesma espécie da jabuticabeira – tanto flor como fruto nascem colados ao tronco ou nos galhos –, o contraste das suas cores lhe garante valor ornamental, diferente da parenta mais conhecida.
Seu fruto, medindo entre dois e meio e quatro centímetros de diâmetro, muito saboroso quando maduro é, porém, desconhecido da maioria da população. No entanto, eles são apreciados por um grande número de pássaros, o que aumenta seu valor, em função da contribuição à alimentação da fauna local.
Considerada uma raridade da Mata Atlântica, sua presença, hoje, está restrita a poucos quintais domésticos. Aqueles que o conhecem e apreciam seus frutos, como Eduardo Souza, colunista de O Guarujá, de Ubatuba, São Paulo, dizem “ainda sentir a boca se encher de água”, quando mencionam o cambucá. Para Eduardo, isso o remete aos tempos de infância, quando com estilingue nas mãos, se embrenhava nas matas para arrancar a estilingadas os frutos da árvore.
Regina Thurler, funcionária do INSS de Nova Friburgo, lembra-se de uma cantiga dos tempos de infância que dizia mais ou menos assim: “Laranja madura; melão; cambucá; pimenta de cheiro; mingau de cará.”
Uma árvore com várias utilidades
Cem gramas do fruto do cambucá contém 66 calorias distribuídas em 15 g de carboidratos; 1,7 g de proteínas; e 0,8 g de lipídeos. Na sua composição ainda encontramos 21 g de cálcio; 22 g de fósforo; e 0.3 g de ferro. A fruta pode ser consumida nos regimes alimentares por quem tem colesterol elevado e pela população diabética, dentro da dieta habitual.
Além de suas propriedades alimentícias, o cambucazeiro também faz parte da flora medicinal brasileira. Segundo o Dr. J. Monteiro da Silva, suas folhas, sob a forma de infusão, são muito úteis no tratamento das bronquites, no combate à tosse e, sobretudo, na coqueluche, uma doença que tanto atormenta nossas crianças. Elas servem também para aqueles que necessitam melhorar as defesas orgânicas.
Com uma altura que varia de cinco a dez metros, a madeira do cambucá tem valor comercial, sendo utilizada na fabricação de cabos de ferramentas e de alguns instrumentos de uso na agricultura. Pode ser aproveitada também na construção civil e mesmo na fabricação de móveis.
Numa tentativa de preservação da espécie, a partir da lei municipal 605/2003, o cambucazeiro foi transformado em árvore símbolo do município de Cantagalo, no estado do Rio de Janeiro. Os ecologistas locais estão investindo na sua cultura, através de uma parceria entre a Sociedade Ecológica Cantagalense (SECAN) e o Instituto Estadual de Florestas (IEF) para a produção de mudas, no Horto Florestal da cidade. Desse modo, esperam reviver o Parque Municipal de Cambucás que infelizmente conta hoje com apenas uma única representante.
Essa ilustre desconhecida tem apenas um senão: leva muito tempo para se tornar adulta e dar frutos. Com dois anos de idade, atinge um metro e meio, menos da metade da sua altura quando adulta.